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Setor de autopeças enfrenta crise

Os empregos no setor de autopeças caíram 12% só nos dois primeiros meses do ano. EmVarginha, no sul de Minas Gerais, uma multinacional dispensou 150 funcionários e 200 vão entrar em férias. Fazia cinco anos que o inspetor de manutenção, Marcelo Sousa, trabalhava em uma empresa especializada em montagem de cabines de caminhões. Ele foi um dos quase 200 trabalhadores demitidos: “A demanda de trabalho pra gente caiu muito, vindo a ocorrer esses cortes, de demissão praticamente quase em massa”.

A indústria automobilística está em crise, demitindo e colocando empregados em licença. Essa crise deixa reflexos no setor de autopeças, empresas menores que também estão enfrentando queda no faturamento.

Em menos de 20 dias, a fábrica da Suzuki em Itumbiara, na divisa de Goiás com Minas Gerais, vai fechar. Dos cem funcionários, 40 devem ser reaproveitados em outra unidade. Os outros 60 vão ser dispensados. A fábrica da Volvo em Curitiba já avisou que vai acabar com um turno de trabalho, consequência da queda de 50% nas vendas de caminhões pesados. Com um turno a menos, vai sobrar trabalhador e os metalúrgicos fizeram uma greve para evitar 600 demissões.

A queda nas vendas também provoca ajustes em Minas Gerais. Desde segunda-feira (11), dois mil funcionários da Fiat estão em férias coletivas. Em menos de cinco meses foi a segunda vez que a empresa precisou diminuir a produção para ajustar com a demanda do mercado. Em abril, a queda na produção na produção nacional foi de 21% na comparação com março.

“Todos os principais fornecedores da cadeia automotiva acompanham essa redução na produção, também utilizando essas mesmas ferramentas de flexibilização. Todos nós estávamos esperando a redução, mas não tão rápido e grande como foi agora nos últimos meses”, afirma Fábio Sacioto, diretor do Sindicato Nacional da Indústria de Autopeças (Sindipeças-MG).

O faturamento das fornecedoras caiu quase 20% em janeiro e fevereiro. Os números são do Sindipeças, que apontam ainda que a maior perda foi na venda para as montadoras do mercado nacional (-24%).

Uma fábrica de material plástico em Contagem, Minas Gerais, tinha 74 funcionários. Vinte foram demitidos. O dono, Gilmar Paiva de Castro, já pensa em diversificar o negócio: “Para suprir 30% de ociosidade com mercado, produtos de outros segmentos. Isso demanda investimento também, desenvolvimento. Se eu for pro mercado de embalagem, por exemplo, eu tenho que ter um trabalho todo que eu não tenho hoje”.

Em outra fábrica, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, várias medidas estão sendo tomadas para reduzir os custos e não haver demissões. Desde janeiro, a produção foi reduzida de três para dois turnos. Houve corte de horas extras e as férias da maioria dos funcionários foram antecipadas. “A gente não gostaria de ter que reduzir o nosso quadro de funcionários, haja vista a capacitação que fizemos com eles, mas se o mercado não reagir nos próximos meses poderemos ter algumas demissões”, explica o diretor da empresa, Joel Luiz da Costa.

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