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Secretaria de Segurança lança plano que visa conter violência em Goiânia

A Secretaria de Segurança Pública do Estado de Goiás (SSP-GO) lançou nesta quarta-feira (18) um plano de ações em conjunto com outros órgãos para tentar conter o avanço da violência em Goiânia. No período de apenas cinco dias - entre 12 e 17 de maio - a Polícia Civil registrou 31 assassinatos. A principal medida segundo o secretário Joaquim Mesquita é o aumento do policiamento em 15 bairros da capital, onde ocorreram 30% do homicídios de janeiro até agora.

Os setores em que a atuação das forças de segurança será aumentada são: Jardim Novo Mundo, Setor Pedro Ludovico, Jardim Guanabara, Centro, Real Conquista, Norte Ferroviário, Conjunto Primavera, Parque Amazônia, Vila Finsocial, Conjunto Vera Cruz, Bairro São Francisco, Eldorado Oeste, Estrela Dalva, Recanto das Minas Gerais e Jardim Curitiba. Nestes locais, se concentram o que a secretaria chama de "manchas criminais".

"O que a população pode espera da secretaria é mais policiamento. Nunca tivemos tantos policiais nas ruas quanto nos últimos dias. São policiais do Simve [Serviço de Interesse Militar Voluntário Estadual], que vai formar 500 policiais em agosto e mais 1,1 mil alunos-soldados do curso da PM e outros. Eles serão lotados e orientados a fazer o policiamento ostensivo nas áreas mais críticas", afirma Mesquita, sem informar, no entanto, quantos militares reforçarão a atuação nos bairros.

O plano prevê parcerias de trabalho com outras secretárias e com a prefeitura municipal com o objetivo de conter os índices de criminalidade. Entre as ações, estão a roçagem de lotes baldios, que servem de esconderijo de ladrões e assaltantes e a melhora constante nos serviços de iluminação pública.

Sistema prisional
Além da SSP-GO, Mesquita também foi nomeado para comandar, de forma interina, a Secretaria de Estado da Administração Penitenciária e Justiça (Sapejus). Ele entra no lugar de Edemundo Dias de Oliveira Filho, que pediu exoneração do cargo após uma reportagem do Fantástico mostrar que presos do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital.

O secretário disse que "de maneira alguma" as regalias irão continuar. Ele afirmou que vai ter uma reunião com os servidores do órgão e também com o procurador de Justiça para definir o que será feito. Sobre ações emergenciais, ele respondeu: "Aguardemos".

Copa do Mundo
O número de mortes neste mês se intensificou desde o início da Copa do Mundo, no último dia 12. Na ocasião, em menos de 24 horas, foram 16 mortes. “É comum que em datas festivas como Natal, Carnaval, Réveillon e mesmo em dias de jogos como foi hoje [12], uma Copa do Mundo, a gente espera que aumente esse número como de fato aconteceu”, afirmou a delegada Silvana Nunes, da DIH, após os crimes.

Depois disso, o número de homicídios continuou alto, sendo que entre a noite de domingo (15) e a madrugada de segunda-feira (16) ocorreram dez execuções. Uma das vítimas foi uma adolescente de 13 anos, morta com um tiro nas costas no Bairro Goyá. No mesmo dia, uma garota de 17 anos, grávida de cinco meses, foi baleada no peito no Setor Central. Logo após o enterro da jovem, na segunda-feira (16), o marido dela foi preso por suspeita de envolvimento com tráfico de drogas.

Também foram registradas mortes de dois policiais militares. Em um dos casos, no Setor Goiânia Viva, um cabo da PM, de 40 anos, foi morto a tiros, na noite de quinta-feira (12). Já na sexta-feira (13), outro policial foi assassinado na porta de uma distribuidora de bebidas, no Setor Floresta, na frente dos dois filhos. Este último caso foi registrado por câmeras de segurança do estabelecimento.

Para Gorski, a prevenção do crime de homicídio é uma das mais difíceis. “Se a pessoa sai de casa armada, com a intenção de matar, se ela não é abordada em um primeiro momento, vai cometer o crime. Infelizmente, a polícia não consegue abordar todos nas ruas. Acredito que a gente tenha um problema muito grande com drogas e esse enfrentamento é complicado”, disse.

Já para professora Rosa Maria Viana, especialista em Ciências Humanas, o problema do tráfico de drogas vai além do combate policial. “Temos que sair dessa esfera. Droga é uma questão social que tem que ser resolvida. Nunca se teve uma indústria tão bem remunerada e com tanto lucro como a da droga. Esse é um sistema que está dando pouca atenção a educação e a formação humana das pessoas”, destacou.

 

G1

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