Notícias

Projeto de terceirização de escolas públicas provoca protesto em Goiás

Professores de instituições federais, estaduais e municipais de ensino público, além de estudantes, protestaram contra a implantação das Organizações Sociais (OSs) na administração das escolas estaduais em Goiás. Os manifestantes fecharam o anel interno da Praça Cívica, em Goiânia, por cerca de uma hora no final da tarde desta quinta-feira (19). O grupo pedia uma reunião com a secretária de estado da Educação, Raquel Teixeira.

G1 tentou entrar com contato com a Secretaria de Estado de Educação, Cultura  e Esporte (Seduce), mas as ligações não foram atendidas até a publicação desta reportagem.

As OSs são entidades sem fins lucrativos, que recebem recursos do estado para administrar um determinado órgão público. Em Goiás, esse modelo de gestão já é aplicado em hospitais, mas é inédito na Educação.

Conforme o professor de educação física e um dos líderes do movimento, Álcio Crisóstomo, cerca de 500 pessoas participaram do protesto, que começou por volta de 16h30 na Praça dos Bandeirantes com concentração e panfletagem. Por volta de 17h, o grupo seguiu para a Praça Cívica onde fechou o anel interno.

O docente relatou ainda que alguns manifestantes colocaram fogo em pneus no anel interno, em frente ao Palácio Pedro Ludovico Teixeira, sede administrativa do governo. “Em seguida os bombeiros e a tropa de choque chegaram e jogaram água de esgoto, muito fedida e suja, para apagar as chamas. Depois jogaram nos manifestantes”, relatou.

O coronel Divino Alves, comandante do policiamento da capital, informou ao G1 que a tropa de choque não esteve no local em momento algum. Segundo ele, na ação dos policiais militares e bombeiros foi utilizada uma mangueira de incêndio do próprio centro administrativo e não água de esgoto.

Ainda segundo ele, logo após esse momento de tensão, o grupo se dissipou. O professor informou que o movimento não é ligado a nenhum sindicato ou instituição.

Professores realizaram protesto contra a tercerização das escolas em Goiás (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)
Professores realizaram protesto contra a tercerização das escolas (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

Álcio afirmou ainda que o grupo queria uma reunião com as autoridades para entender os detalhes do processo, mas não conseguiram.

“Nós queríamos um diálogo com a secretária de educação, Raquel Teixeira, para que ela nos explicasse como deve ser o plano de implantação dessas OSs, plano para as diretorias das escolas e como vai ser feito o planejamento pedagógico”, afirmou.

Preocupações
O docente acredita que, com a implantação das OSs, a elaboração do plano pedagógico das escolas e, eventualmente, o próprio ensino, podem ser prejudicados.

“Essa escola que for gerida por uma OS vai deixar de ser gerida pela comunidade. A Lei de Diretrizes Básicas da educação nacional diz que a escola tem que girar em torno desse projeto político pedagógico, que tem que ser elaborado pela comunidade escolar. Não tem como dissociar o pedagógico do administrativo”, argumentou.

A principal preocupação dos profesores é que o ensino público se torne limitado. Para o professor, o temor é que os alunos percam a possibilidade de uma educação completa neste processo.

Manifestantes relataram terem sido atingidos por água de esgoto Goiás, Goiânia (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)
Manifestantes relataram terem sido atingidos por água durante ato (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

“O que eles querem fazer é transformar o ensino em uma educação instrumentalizada. Parar de dar aula e treinar os alunos para que eles consigam bons índices de verificação do ensino, o que não significa maior aprendizado. Isso limita a matriz de formação do aluno. Alem disso, aqueles ‘alunos problema’ serão expulsos das instituições administradas por OSs por não atingirem bons resultados”, afirmou.

Mudanças
Na quarta-feira (18) a Seduce informou que as OSs, que já devem começar a atuar no início do ano que vem, trarão vantagens para as escolas, já que poderá fazer reformas, sem a necessidade de licitações, e poderá pagar melhores salários aos professores, que serão contratados no regime de Consolidação das Leis de Trabalho (CLT). Para os concursados, nada muda.

“Todas as escolas da secretaria, OSs ou não, terão que seguir o mesmo currículo e terão de seguir determinadas metas. Além disso, as OSs vão ter que seguir aquilo que a secretaria determinar, mas a escola continuará exatamente como é, pública, gratuita, e a gente espera que cada vez com mais qualidade”, explicou a secretária de Educação, Raquel Teixeira.

Copyright © 2012 Eurosec.

Todos direitos reservados.

Escudo Eurosec