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Projeto de lei quer proibir eventos que ofereçam open bar em Goiás

Um projeto de lei quer proibir eventos com open bar, ou seja, quando a pessoa compra um ingresso que lhe dá direito a consumir bebidas alcoólicas sem limite, em Goiás. Autor da medida, o deputado estadual Marlúcio Pereira (PTB) afirma que o objetivo é evitar a embriaguez dos frequentadores de festas.

“Nós vemos sempre pessoas entrando em coma alcoólico no final dos eventos. Geralmente, as pessoas querem beber mais que o valor do ingresso para compensar e acabam perdendo o controle”, disse.

Pereira afirma que muitos adolescentes conseguem entrar nesses eventos e também acabam bebendo. Segundo ele, a fiscalização existe, mas não consegue vistoriar todas as pessoas que frequentam todos os eventos.

Ainda de acordo com o deputado, o consumo exagerado de álcool nos eventos com open bar também podem refletir no trânsito.
“Outra preocupação é que, quando as pessoas bebem além da conta, ficam muito corajosas e acabam comprando briga por qualquer coisa. Quando saem dos eventos de carro, são um risco para o resto da população”, explicou o deputado.

O projeto nº 3.131/15 tramita na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ) da Assembleia Legislativa. Se aprovado, os organizadores que insistirem na realização de eventos open bar terão o alvará de autorização para a realização do evento suspenso, além do pagamento de multa de 10 a 12 salários mínimos.
Críticas

O produtor de eventos João Victor Baraúna, de 20 anos, trabalha com shows em Goiânia há cinco anos e afirmou que já fez diversos eventos com essa prática. Ele acredita que o open bar é uma forma do público se divertir com mais tranquilidade.
“Quem compra ingresso com open bar curte mais. Cada um tem consciência do que faz, dos seus limites. O importante é mudar as cabeças das pessoas, para não irem com a intenção de beber até ‘chapar’”, defendeu.

Baraúna disse ainda que a medida pode prejudicar o ramo de eventos no estado, que gera muitos empregos e movimenta a capital.
“O ramo já não tem apoio do governo. Essa medida vai ser bastante negativa porque é uma das formas de capitalizar o evento. Sempre temos áreas que não tem open bar, é uma opção”, afirmou.

O empresário José Amaro, de 23 anos, também acredita que a escolha do quanto beber deve ser do consumidor. “Acho que é uma ideia ruim. Tem gente que quer realmente recuperar o dinheiro do ingresso na bebida, mas quem tem que vigiar o que bebe ou não é a consciência de cada um”, disse.
A nutricionista Fernanda Brandão, de 26 anos, acha que a medida pode não cumprir os objetivos. "Acho bem ruim. Poder beber à vontade nos eventos é uma forma de dar mais comodidade para o consumidor e evitar filas e confusão na hora de pagar a conta. Além disso, quem vai com a intenção de beber muito não vai deixar de fazer isso por não ser open bar", afirmou.

O médico veterinário Rodrigo Estanislau, de 26 anos, também critica o projeto de lei. "Claro que tem pessoas que vão beber mais, mas são a minoria. A maioria não bebe tanto e vai pelo conforto. Cada um tem que ser responsável pelo que consome", disse.
O deputado explicou que o projeto também visa promover um debate sobre o assunto com produtores de evento, pais de adolescentes e com a população em geral.
“Marquei uma audiência pública para o dia 5 de outubro, às 9h na Assembleia para ouvir o que as pessoas têm a dizer. Soube que no Recife (CE) essa lei foi aprovada e muitos produtores de evento da cidade concordaram com a ideia e que tem sido bom para a população”, afirmou.

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