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Mais Médicos não supre falta de profissionais nos postos de Goiânia

Quem buscou atendimento e teve de enfrentar uma longa fila, reclama. “É um descaso com a população. Os médicos são profissionais que deveriam ter em excesso e não em falta. A saúde pública de Goiânia segue com muitos problemas e pede socorro”, disse o aposentado Luiz Augusto Gonçalves, de 67 anos.

Pacientes que precisam de atendimento na rede pública de saúde de Goiânia reclamam da demora por consultas e auxílio de urgência e emergência. Um dos motivos, segundo eles, é a falta de médicos nas unidades. Nem com o reforço do Mais Médicos, programa do governo federal que completou dois anos de atuação na capital, a situação foi normalizada. Atualmente, em toda a rede, faltam 65 profissionais, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

A pensionista Almezina Santos Cabral, de 70 anos, está entre os pacientes que fazem uma peregrinação para conseguir atendimento. Com sintomas de depressão e precisando de uma cirurgia de hérnia, ela conta que está há mais de um mês em busca de uma consulta com um clínico geral. Na última semana, conseguiu ser avaliada no Centro Integrado de Assistência Municipal à Saúde (Ciams) Novo Horizonte.

“Eu sofro de ansiedade, não consigo dormir, choro muito e emagreci demais. Estou esperando me chamarem para operar a hérnia, mas preciso controlar a depressão antes. Felizmente, agora me chamaram para a consulta, mas tive que pegar dois ônibus e um mototáxi para sair do meu bairro, no Setor Urias Magalhães, para chegar ao Novo Horizonte. Se lá a gente tivesse médicos para esses atendimentos, seria menos sofrido”, relatou.

A dona de casa Neli Cintra, de 57 anos, também enfrenta uma situação delicada na busca por atendimento. Hipertensa, ela diz que precisa de acompanhamento constante, mas nem sempre consegue encontrar ajuda rapidamente no Ciams Novo Horizonte, que fica nas proximidades da casa em que mora.

“Eu fiquei mais de ano tentando uma consulta aqui, mas aí o posto foi fechado para reforma. Nesse período, passei mal algumas vezes e tive que ir para outros bairros, como Jardim América, Bairro Goiá e até em Aparecida de Goiânia [Região Metropolitana da capital]. Depois que o Ciams foi reaberto, há 1 ano, esperei mais uns três meses para conseguir uma consulta. A explicação que nos dão é que são muitos pacientes para poucos médicos, mas achei que aquele programa [Mais Médicos] tinha resolvido isso”, relatou.

Segundo a SMS, atualmente, existem 51 profissionais do Mais Médicos, entre brasileiros e estrangeiros, em atuação em 63 unidades da capital. Porém, eles atuam apenas Centros de Saúde da Família (CSFs), onde são atendidas somente as consultas agendadas.

Mesmo assim, a SMS admite que o déficit ainda é de 25 profissionais. “O Mais Médicos ajudou muito a melhorar o atendimento, principalmente na atenção básica. Mas ainda temos falta de médicos”, afirma a apoiadora técnica da Gerência de Atenção Primária, órgão responsável pelos CSFs, Juliana Pires Ribeiro.

Um clínico geral que atua em uma das unidades, e que pediu para não ser identificado, contou ao G1 que a chegada dos Mais Médicos deu um fôlego na atenção básica, pois os profissionais tiveram um contrato de trabalho mais vantajoso e passaram a ficar mais tempo nos postos. “Apesar disso, ainda existem locais que ficam com poucos médicos, que precisam se desdobrar. Sendo assim, ainda é preciso reforçar o quadro”, destacou.

Segundo Juliana, para suprir a demanda, uma seleção será realizada em breve pela SMS. Porém, ainda não há uma data definida. “Faremos um processo seletivo para novas contratações via prefeitura, pois, por enquanto, não há previsão da chegada de novos profissionais do Mais Médicos. Sendo assim, será feita uma análise de currículos dos médicos interessados e, com isso, esperamos normalizar as equipes de todos os CFSs”, explicou.

Urgência e emergência
Quando se trata dos Ciams, Centros de Atendimento Integrado à Saúde (Cais) e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), onde são realizados os atendimentos urgentes, o déficit de médicos plantonistas é de 40 profissionais, o que representa 6% do total de 702 que atuam na capital, segundo a SMS.

O chefe de Atenção à Saúde, Cláudio Tavares, admitiu que as vagas em aberto precisam ser preenchidas, mas negou que a situação seja grave e que gere prejuízos aos atendimentos prestados à população.

“Os 702 médicos que temos em atuação como plantonistas são distribuídos entre as 17unidades de saúde 24 horas da capital, entre Cais, Ciams, UPAs, ambulatórios e maternidades. Com isso, os desfalques nas equipes também são adequados de acordo com a necessidade de cada local, fazendo com que nenhum deles fique sem um profissional em um determinado período. Todos os horários são devidamente cobertos”, garantiu.

Tavares ressaltou que a SMS faz uma análise constante do quadro clínico para evitar que profissionais fiquem ociosos e para identificar quais são as mudanças necessárias. “Fazemos estudos que mostram como estão as equipes em cada unidade e vamos fazendo os ajustes. Em relação aos plantonistas, existe uma rotatividade muito grande, pois muitos médicos partem
para a residência ou até mudam de área em função do regime de trabalho”.

Demora
Apesar do posicionamento da SMS, a diarista Ana Silva, de 48 anos, diz que sente na pele a demora para ser atendida quando precisa ir até uma emergência. “Há uns três meses eu tive dengue e quase morri. Moro no Residencial Solar Bougainville, mas tive que ir para o Cais do Jardim América. Lá, só tinha um médico atendendo e fui obrigada a procurar outra unidade. Só consegui lá no Bairro Goiá, mesmo assim após uma longa espera”, relatou.

O Cais Campinas é uma das unidades em que as consultas foram suspensas e que, desde julho deste ano, só são atendidos casos urgentes. Uma funcionária, que não quis se identificar, relatou que o quadro clínico não é suficiente para atender a demanda.

“Eles acabaram com isso aqui. Antes existiam médicos que atendiam em diversas especialidades, como ginecologista, pediatria, pneumologista, cardiologista, psicologia e até nutricionista. Agora, virou apenas um pronto-socorro infantil e para adultos. Mesmo assim, muita gente vem aqui em busca de ajuda e não podemos fazer nada”, relatou.

O chefe de Atenção à Saúde da SMS explicou que as mudanças no Cais Campinas ocorreram em função de questões estruturais e negou problemas no atendimento. “O que acontece é que a gente precisa primeiro reforçar os quadros clínicos nos CSFs, nos atendimentos ambulatoriais, pois dessa forma o paciente terá um acompanhamento e deixará de ir até os Cais, que muitas vezes ficam sobrecarregados. Mas não há problemas em relação ao quadro clínico dessa unidade”, garantiu Tavares.

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